''No es la necesidad, sino la casualidad, la que está llena de encantos. Si el amor debe ser inolvidable, las casualidades deben volar hacia él desde el primer momento(...)''
esse mundo que é só grandeza, depois de um tempo, deixou de ser cruel. desde o dia em que você apareceu nele. no meu mundo. desde o dia em que eu cruzei a porta de madeira pela primeira vez, desde a primeira pizza vegetariana, o primeiro olhar e o primeiro sorriso. desde a música que não saía da minha cabeça, ''decime como se llama, por favor!''. desde o primeiro toque de amor que durou uma eternidade. desde o primeiro choro de saudade. desde o dia que eu percebi que você não era mais um, mas um. foi quando eu agradeci por todas as casualidades que me levaram até você. desisti de numerá-las e me permiti senti-las. me permiti dançar no living com você enquanto as pessoas dormiam, e andar como patito ao cruzar a rua. permiti que todos vissem o quanto tudo aquilo que existe aqui dentro é teu. e o quanto isso me agrada. a tua presença com a minha. e poder contar todos os lunares do teu rosto. e não se importar com as horas. porque todo tempo do mundo é muito pouco com você.
te amo nesses dias em que a vida se clareou pra mim. obrigada por mostrar-me que eu não sabia nada das coisas. você é o meu melhor acaso.
"es kónnte auch anders sein: también podía haber sido de otro modo", mas nesse instante, outra forma de felicidade não me cabe.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
na cama de outros.
às vezes chuta
esperneia
liquidifica
esquece de ser verso
e se prende à rima
dá voltas pela
placenta
mas nunca
solidifica
disseram que de
parto normal não viria
tão pouco sabiam
que outro processo
invasivo
não resistiria.
sábado, 20 de abril de 2013
a senhora dona do cheiro de travesseiro.
O cheiro do quarto. Era um cheiro peculiar, de seus perfumes que lutava diariamente para que estivessem lá, presentes. Seguro que não havia um que entrasse no quarto e não sentisse o cheiro que de lá exalava. Ou seria isso coisa da minha cabeça? É possível também, haviam muitas coisas dentro dela. Mas o cheiro do travesseiro é algo que não me sai da memória. o cheiro e seus afetos. Entrava correndo no quarto para acordá-la e metia o nariz no travesseiro - ou melhor dizendo, nos travesseiros, visto que seu companheiro de quarto dormia com dois no joelho, dois na cabeça, um no braço.
- Acorda, acorda!
- Só mais cinco minutinhos, Jé...
(...)
(...)
- E agora? Já dormiu os cinco minutinhos?
Mais vinte minutos na cama. Não há nada que vinte minutos na cama não resolva. Depois de abrir os olhos, vinte minutos na cama, é essencial, faz bem pro coração e alivia.
Levantava e rotina diária de higiene. O jeito de ajeitar o cabelo. "Preciso dar um jeito nessa coisa horrorosa."
E também o jeito de servir-se de café. Como demorava para comer! Minhas pernas já estavam impacientes. A mania de decidir no café da manhã o que iria almoçar mais tarde. Não! Não! Esquece isso, vamos comer esse aqui, primeiro...
As brincadeiras de um futuro inimaginavelmente bom! A Ana, o Pedro e o Lucas. Não lembro quem era o mais velho, mas você também não. Mais um café, mais conversas que ouvia atrás da porta e queria reproduzi-las com você. Não sei o quanto você compreendia ou gostava daquilo tudo. Mas eu adorava. Obrigada por esse tempo despendido todo para mim. Para nós.
Depois de alguns anos, depois das conversas de conto de fadas, sei que por muitas vezes não tive a mesma paciência que comigo teve, mas, como somos terrivelmente egoístas e cuidadosos, sei que vais me perdoar, sim?
Agora não precisamos mais nos disfarçar de outros, fazer historinhas de chá da tarde, problemas com os filhos, com os maridos, agora podemos falar sobre a vida real. Olhando uma para a outra e com a sinceridade de uma mulher para com outra. De uma amiga para outra. De avó para neta. Agora caminhar com você pelas ruas é mais agradável, agora te entendo, te sinto no tempo e espaço certos.
Aqui, aí, do outro lado de lá, em um navio, no meio das areias, nas casas de jogos ilegais, no cinema, na sorveteria, tomando açaí, comprando qualquer porcaria em ruas, com os seus amigos, com os meus, em qualquer lugar. Te quero assim, sempre com essa gana de vida, de amor com tudo e todos. Como eu te admiro! Obrigada por me fazer mais mulher, mais humana. Feliz aniversário! Queria dar-te um abraço esmagador agora. Sinta-o daí!
- Acorda, acorda!
- Só mais cinco minutinhos, Jé...
(...)
(...)
- E agora? Já dormiu os cinco minutinhos?
Mais vinte minutos na cama. Não há nada que vinte minutos na cama não resolva. Depois de abrir os olhos, vinte minutos na cama, é essencial, faz bem pro coração e alivia.
Levantava e rotina diária de higiene. O jeito de ajeitar o cabelo. "Preciso dar um jeito nessa coisa horrorosa."
E também o jeito de servir-se de café. Como demorava para comer! Minhas pernas já estavam impacientes. A mania de decidir no café da manhã o que iria almoçar mais tarde. Não! Não! Esquece isso, vamos comer esse aqui, primeiro...
As brincadeiras de um futuro inimaginavelmente bom! A Ana, o Pedro e o Lucas. Não lembro quem era o mais velho, mas você também não. Mais um café, mais conversas que ouvia atrás da porta e queria reproduzi-las com você. Não sei o quanto você compreendia ou gostava daquilo tudo. Mas eu adorava. Obrigada por esse tempo despendido todo para mim. Para nós.
Depois de alguns anos, depois das conversas de conto de fadas, sei que por muitas vezes não tive a mesma paciência que comigo teve, mas, como somos terrivelmente egoístas e cuidadosos, sei que vais me perdoar, sim?
Agora não precisamos mais nos disfarçar de outros, fazer historinhas de chá da tarde, problemas com os filhos, com os maridos, agora podemos falar sobre a vida real. Olhando uma para a outra e com a sinceridade de uma mulher para com outra. De uma amiga para outra. De avó para neta. Agora caminhar com você pelas ruas é mais agradável, agora te entendo, te sinto no tempo e espaço certos.
Aqui, aí, do outro lado de lá, em um navio, no meio das areias, nas casas de jogos ilegais, no cinema, na sorveteria, tomando açaí, comprando qualquer porcaria em ruas, com os seus amigos, com os meus, em qualquer lugar. Te quero assim, sempre com essa gana de vida, de amor com tudo e todos. Como eu te admiro! Obrigada por me fazer mais mulher, mais humana. Feliz aniversário! Queria dar-te um abraço esmagador agora. Sinta-o daí!
domingo, 8 de julho de 2012
drão.
'quem poderá fazer
aquele amor morrer
nossa caminhadura
dura caminhada
pela noite escura...'
aquele amor morrer
nossa caminhadura
dura caminhada
pela noite escura...'
Não lembro o dia, mas era de tardezinha e não fazia sol. Você já estava no carro conosco, deitada em sua caminha (que só foi usada naquele dia) e com sua roupinha que te acompanhou até o dia de ontem. Eu tinha onze, você um. Você não gostava da maioria dos brinquedos que comprávamos. Gostava dos meus bichinhos de pelúcia que tentavam sem sucesso imitar a sua pele. E você os enchia de carinho com sua língua e depois nós ficávamos assustados porque achávamos que tinha engolido algo perigoso.
Perigo é não ter você por perto.
Tu me vistes chorar como poucos. Me lembro do dia em que subiu na minha cama e começou a lamber as lágrimas. Eu pensava como poderia existir no mundo alguém pra secar as lágrimas de outra pessoa. Você zelou meu sono mais profundo, embora no meio da noite minhas pernas tentassem te expulsar da cama. E no dia seguinte lá estava você de novo. E de novo, de novo...mas não hoje.
No começo eu tinha medo e escondia meus pés em cima da cadeira - pra que você nem ousasse me cheirar. Uns meses passados você já corria de medo do meu abraço que esmagava.
Você me ajudou nas provas,
nas cólicas,
nas dores,
na solidão.
E me ensinou a amar de uma maneira que nenhum outro ser vivo conseguiu.
Então era isso. Era desse modo que acontecia. A vida encerrava-se sem tempo extra. Sem despedidas e sem calor. Seus olhos já não eram mais os mesmos e eu compreendia isto. Compreendia que você precisava deixar esse vazio aqui dentro - que ninguém nunca mais irá preencher.
Os olhos de jabuticaba.
As roupinhas que você nunca usou.
Os incontáveis panos que você espalhava pela casa.
A tua respiração. O teu ronco. O teu choro.
A sua barriga encostada na minha.
A tua alegria. E a minha. E a nossa.
Tudo isso que você deixou e será sempre seu.
Bem aqui dentro.
Eu não sei onde você está, nem o que fizeram com você. E acho que nem quero. Abençoados aqueles que cruzaram o teu caminho por um mínimo momento.
Gostaria apenas da certeza que todo mundo, ao menos uma vez na vida, há de sentir um amor tão imenso e genuíno como este.
Para sempre minha.
'Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão'
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão'
domingo, 25 de março de 2012
fala pra ele...
Não era de se pensar. Não precisava, já não cabiam pensamentos naquela cabecinha. A mesma mente que gritava o quão vão seria aquilo, era aquela que, silenciosamente, dava razão a todo um sentimento que diariamente crescia dentro de seu corpo, mas era anônimo. Porque os sentimentos são assim mesmo, sem nome, sem medida, simplesmente são. E são às vezes, são em pequenos momentos, em atitudes, em toques, telefonemas e batidas aceleradas no peito. Desgraça de mania que temos de nomeá-los! Amei, sim, amei demais, amei um mundo de possibilidades que acreditei até o fim. Mas pouco sei sobre os sentimentos, os meus ainda me surpreendem. Já imagino seu rosto sonolento, lembrando da minha estúpida e incansável mania de falar, falar, falar e não chegar a lugar nenhum! Eu sei, também sinto náuseas de tanto girar e de me explicar sem respirar, como se o coração estivesse na boca, pronto pra explodir, sabe? Na verdade, existe um turbilhão de emoções aqui dentro e estas (quase) nunca são verbalizadas, mas discorrem bastante mundo afora...exteriorizadas em poesia, música, beijos e abraços prolongados...em ti.
''Fala pra ele
Que ele é um sonho bom
Que mudou o tom
Da tua vida...''
Foi impossível pensar em um título que se enquadre; acho que por você ser exatamente assim, sem formas, sem padrão, sem saber-porque, apenas é. E se não quer ser, também não é. Entendeu? É você! Esse texto já perdeu o sentido na segunda linha, talvez pela minha ingenuidade de no fim encontrar uma resposta que me tranquilize. Mas não tem jeito. Se existe algo que não é tranquilo, é esse 'algo' (
E que continue assim...equilibrando-se em furacões - porque eu não quero parar de girar - e chão com teto estrelado, pra colocar tudo no seu devido lugar.
dedicado a um quebra-cabeça pensante (e inconstante)
domingo, 31 de julho de 2011
;três semanas
'E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser...'
Toda a distância, todo esse tempo ultrapassado e prejudicado pôde ser resgatado dentro de mim e em alguma parte você estava lá, quietinho, manso, como deveria estar. As lembranças nunca morreram, por mais que eu fugisse, lá estavam. Nunca esquecerei do bem que você me fa(e)z, de todos os sorrisos sinceros, todas as brigas, - aquelas em que eu queria morrer por não conseguir guardar uma gota de raiva de ti - todos os abraços eternos onde o tempo poderia parar. E parou. E acabou. Três semanas. Três palavras; você sabe, ninguém mais pode saber.
'...Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.'
Obrigada, eu te amo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
mais tarde
'Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar...
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá.
Pode ser cruel a eternidade,
Eu ando em frente por sentir vontade.
(...)Eu quis te convencer, mas chega de insistir...Caberá ao nosso amor o que há de vir.Pode ser a eternidade má,Caminho em frente pra sentir saudade.'
(...)Eu quis te convencer, mas chega de insistir...Caberá ao nosso amor o que há de vir.Pode ser a eternidade má,Caminho em frente pra sentir saudade.'
É que às vezes é tão real...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Sem mais desvarios...
'Se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair'
Cansei da loucura, do delírio, do êxtase; ainda me alimento disso mas é melhor abdicar-se agora, antes que a dependência se torne crônica. A gente não morre de amor, mas decidimos morrer por ele! É uma escolha com consequências imediatas que depois de analisarmos bem, dizemos: 'Valeu a pena.' Talvez valha mesmo, mas por ora o período é de descrença...
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