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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Não abaixa muito! Deixa essa louça ai, eu lavo pra ti...Já almoçou? Já tomou cafezinho da tarde? Já comeu uma fruta? Já foi no médico? Já jantou? E o dentista? Eu carrego isso pra ti. Mas isso tá pesado demais, menina! Como raios isso foi acontecer? Você tem noção do que fez com a tua vida? Tua vida acabou...Você acha que vai conseguir terminar os estudos? E as festinhas? E a formatura? Vai entrar barriguda mesmo? Não há vestido que sirva...Agora você tem que me ouvir. Não diga que eu não avisei. Mas essa criaturinha vai ser a alegria da família! Já sabe o nome? E o quarto? E os esportes? Não pode deixar de praticar. Faça de tudo para não engordar mais de 1kg por mês. E o pai? Apoia? Tá trabalhando? Estudando? Mas você tem noção do que fez com a tua vida?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

me falta o mar e a lucidez,
a certeza e a insensatez.

el dibujo es una sombra 

Renato me acompanha,
me falta a lucidez...

tinha dentro dela todas as certezas do mundo,
que o próprio mundo apagou.

pensava que sabia da vida
mas quem sabia de mim era ela
que me agarrava pelo braço e dizia 'despiértate, chica! ya no hay más tiempo...si quieres ser feliz como me dices...no analices...'



rascunho de agosto

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

da lata do lixo.

Dona Maria do papelão, da esteira, do correio, da vassoura e da prensa. Dona Maria das Dores, do álcool, do marido e dos filhos. Dona Maria do cabelo preto meio cinza, da pele preta e da simpatia. Dona Maria das fugas, das despedidas, dos sorrisos e desperdícios. Dona Maria da segunda passada, do café passado. Dona Maria de volta ao passado. Dona Maria que não sabe o que fazer com tanta promessa e papelão rasgado.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

mais um.

era esse o gosto da morte. não sentia na pele, mas sentia na boca, no estômago, nas entranhas. nas entranhas dele que estavam pela rua e agora estão dentro dela. nas entranhas das pessoas que passavam, olhavam e nada faziam. nas entranhas dos carros que o golpeavam outra vez. nas minhas veias. a morte tinha aquele gosto acre para quem vê. aquele gosto que ocupava todo espaço do seu corpo e nada mais pode ser ingerido.a morte trazia aquela sensação de culpa e alívio inconsciente, ''pelo menos não sou eu'' -  mas poderia ter sido. a morte poderia ser aquela vontade que dá às cinco da tarde de comer pão com manteiga, mas está chovendo muito para sair à padaria. não era assim tão simples. agora não havia mais espaço para explicações. era mais um sob a terra ou em qualquer outro lugar que o tenham levado. os carinhos que recebeu, as moléstias que aguentou, as brincadeiras que fez e todo o caminho que percorreu...morreram junto com ele e com o carro que um pedaço seu levou.


a alguns lhes restam a terra, quem sabe o mar? um rio...alguns trocam dinheiro por um mármore - mais limpo que muitas casas - para morrer, mas não a ele...a ele restava um saco plástico de lixo. e a ela...aquele terrível gosto acre que sempre tem a morte alheia.

sexta-feira, 15 de março de 2013

não aqui


Olhares  fortes,
De coloridos fortes a olhar.
O pensamento distante,
Voando pra outro lugar.
Pensei que estaria salva
Do indício de amar.
Encontrei-me com ele
Outra vez,
E não o deixei passar.
Volta pra lá!
Pro sertão
do lado de lá!
É onde deves ficar...

terça-feira, 5 de março de 2013

pousa em paz.

Sai da janela, menina.
Deixa o tempo passar sossegado
não espere que ele passe ao seu lado.

Afinal, há tanta vida a passar
e o mundo não é 
feito de dois
pra te enfeitar.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

o-mar-ia

E disse-me:
"Vá, vá, garota.
Não te preocupes, nem te atormentes, pois,
as mesmas águas que agora te alimentam,
são as que te receberão com ondas prontas
para o aconchego e repouso."
Deu de costas  para a imensidão cinza azulada
e voltou em um silêncio quase que pungente.

sábado, 8 de dezembro de 2012

quando o silêncio fala mais alto
é hora de repensar certas coisas.


de lembrar porque entrou nessa
mesmo sabendo que deveria sair.

domingo, 18 de novembro de 2012

fuga

Tinha tanto medo de ser feliz 
que, ao ver a mínima chance
correu para outro copo de café. 

quem haveria de resgatá-la outra vez? 

domingo, 30 de setembro de 2012

certa manhã acordei de sonhos intranquilos.


Hoje de manhã, a cama me saco-dia e senti-me num impulso de despertar, antes que todos os sonhos se confundissem e fundissem com a realidade e possíveis devaneios - que também seriam interrompidos. Os livros na estante me esperam. Os papéis assustam-se. Somado a todas linhas. O divã não está lá. E-mails e tecnologia. Os carros gritando inverdades, injúrias e buzinas após às 8h. O velhinho da guitarra não deve ter dormido essa noite, acordou agitado e aos berros. Mais cafeína aqui dentro, por favor.
Enxaqueca, hoje não!
Acordei querendo ser feliz. Querendo ser mais dentro da vida de alguém. E dentro de alguém, sim, por que não?
É preciso dar o primeiro passo. E o último também. Porque eu sou exatamente isso. Dou tantos primeiros-passos que no meio do caminho estes se cruzam, colidem e ninguém mais sabe para onde vai. Nem se deve, ou se há algum outro lugar para ir. 
(...)
(...)
(...)
Não há. 
Mais um incenso de Patchouli. Os livros na estante me esperam. Novamente.