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sexta-feira, 1 de março de 2013

errata da gramática

retomo os versos
recrio
converso
invento rimas
dou cria ao universo.
reconheço e atravesso
elaboro a métrica
saio da reta
e vou pela encruzilhada.
meio atrapalhada,
meio descambaleada
meio nada.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

aquém, mas não somente...

abri os olhos e era só terra
por mais que negasse o fato
continuava sendo terra
em um dia, despedida
n'outro, terra.

bichos e terra
bichos da terra.

pensava que nada mais poderia
ser tão vazio
e cheio de eco
ecoavam em mim inúmeras
dúvidas
dívidas
mas uma única certeza no meio delas:

''a vida era uma piada de muito mau gosto.'' - me dizia.

Pondo em risco outras vidas
colocando à prova inúmeras crenças
exilando outras tantas fés
carpindo tudo quanto era forma sem cor
desmanchando rios em lágrimas salgadas
solvendo em pó
tantos litros de amarguras.



era a balada de agosto, mais uma vez.

domingo, 8 de julho de 2012

drão.

'quem poderá fazer
aquele amor morrer
nossa caminhadura
dura caminhada
pela noite escura...'

Isto não é uma ode à morte. São palavras dedicadas à vida. A vida que você me deu.

Não lembro o dia, mas era de tardezinha e não fazia sol. Você já estava no carro conosco, deitada em sua caminha (que só foi usada naquele dia) e com sua roupinha que te acompanhou até o dia de ontem. Eu tinha onze, você um.  Você não gostava da maioria dos brinquedos que comprávamos. Gostava dos meus bichinhos de pelúcia que tentavam sem sucesso imitar a sua pele. E você os enchia de carinho com sua língua e depois nós ficávamos assustados porque achávamos que tinha engolido algo perigoso. 
Perigo é não ter você por perto. 
Tu me vistes chorar como poucos. Me lembro do dia em que subiu na minha cama e começou a lamber as lágrimas. Eu pensava como poderia existir no mundo alguém pra secar as lágrimas de outra pessoa. Você zelou meu sono mais profundo, embora no meio da noite minhas pernas tentassem te expulsar da cama. E no dia seguinte lá estava você de novo. E de  novo, de novo...mas não hoje. 
No começo eu tinha medo e escondia meus pés em cima da cadeira - pra que você nem ousasse me cheirar.  Uns meses passados você já corria de medo do meu abraço que esmagava. 
Você me ajudou nas provas,
nas cólicas,
nas dores,
na solidão.
E me ensinou a amar de uma maneira que nenhum outro ser vivo conseguiu. 

Então era isso. Era desse modo que acontecia. A vida encerrava-se sem tempo extra. Sem despedidas e sem calor. Seus olhos já não eram mais os mesmos e eu compreendia isto. Compreendia que você precisava deixar esse vazio aqui dentro - que ninguém nunca mais irá preencher. 
Os olhos de jabuticaba. 
As roupinhas que você nunca usou.
Os incontáveis panos que você espalhava pela casa.
A tua respiração. O teu ronco. O teu choro. 
A sua barriga encostada na minha. 
A tua alegria. E a minha. E a nossa.

Tudo isso que você deixou e será sempre seu. 
Bem aqui dentro. 

Eu não sei onde você está, nem o que fizeram com você. E acho que nem quero. Abençoados aqueles que cruzaram o teu caminho por um mínimo momento.

Gostaria apenas da certeza que todo mundo, ao menos uma vez na vida, há de sentir um amor tão imenso e genuíno como este.


Para sempre minha. 


'Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão'

domingo, 27 de maio de 2012

tons de casa.

Todos  os dias quero fugir por um momento de dentro de mim e voar dentro de outros corpos, onde a existência talvez seja mais fácil (?). Bobagem. Existir já é um caos completo e seja dentro de quem for, nada pode ser mais agonizante do que ter que existir. Nos delegam a função, nos botam com a cara no vento e nem ao menos dizem: 'Vai. Voa. Pode tentar o quanto for, você não vai conseguir. Mas tente. Viva.' São nulas as direções e os espaços que nos conduzem (ou tentam) a algum lugar. 
Aqui vai mais um momento de crise, onde não cabemos mais em nós mesmos. Onde o corpo é pequeno demais pra acomodar tanta emoção. E isso não é necessariamente ruim ou obscuro, do contrário ao que pensam. Isso simplesmente é. 
Deve existir alguma coisinha dentro de nós, algum compartimento desconhecido até mesmo pelos melhores homens de laboratório, um espacinho que incha tanto quanto podemos aguentar. E às vezes não aguentamos. E ai recorremos a qualquer objeto ou sujeito que diminua ou nos faça esquecer esse inchaço no peito, por um tempo. Às vezes esse tempo dura um mês, dois, um ano e já vi casos onde dura vinte. Até que esse sujeito-objeto (por que muitas vezes deixam de ser para nos servir.) deixe o espacinho inchar novamente.
E aí vem um novo caos...












"Eles dizem: 'Ei garoto! Você encontrou o que estava procurando?'
Isso significa que eles não me conhecem

pois está aqui e é isso o que eles não podem ver..."

domingo, 19 de junho de 2011

as cores bonitas.

Queria achar frases prontas, algo finalizado para não ter que lembrar mais uma vez de todos os bons momentos que passaram. Mas é impossível, inevitável e inútil querer se proteger das lembranças que vem à tona.
Despedidas deveriam ser proibidas. Não consigo achar outra razão para o meu pranto, que não seja essa imensa solidão a que estamos constantemente condenados. Esse vai e vem de pessoas em nossas vidas, toda vulnerabilidade que existe aqui dentro; tudo, tudo isso deveria ser proibido. 
O que é a saudade? O que é esse medo que nos assombra como se o mundo fosse acabar amanhã e todas as nossas chances fossem desperdiçadas? Quantas pessoas não passam e simplesmente passam? Quantas vezes deixamos de falar algo com medo de ouvir a resposta? Quanto abraços ou 'eu te amo' faltaram na sua vida?


Eu não quero perder mais um milésimo de segundo...





E quando o dia não passar de um retrato
                                                           Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz.'

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nesse incompleto vem e vai.

É certo que me pego pensando e revirando noites em que até mesmo o travesseiro perde a paciência. Acontece. E se eu pudesse evitar, voltaria sempre para o mesmo sonho bom do qual não deveria ter acordado muito. Ou será que era um pesadelo em que alguém, felizmente, me despertou antes que fosse tarde demais? Fui bruscamente acordada, pega de surpresa e obrigada a caminhar sozinha em meio a todo aquele ermo das ruas da tua casa. Foi bom, pelo menos por enquanto tenho tempo para juntar todos os pedaços.O que era onírico agora se fez real e o que era real...talvez nunca tenha sido.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quem tem coragem não finge

É preciso ter um tempo longe daqui, tempo de ficar só. 
De andar na areia e sumir.

 
Amor verdadeiro não reage assim, pode fazer melhor. 
Esconde o medo e sorri.



Pequenos acontecimentos e ações alheias podem mudar a sua vida de um segundo pro outro. Estou borbulhando. E entre uma fervura e outra, me desintegro - querendo me entregar! São sentimentos irreversíveis que, como diria minha saudosa avó - 'te pegam na curva, menina! É, a gente sabe da existência deles mesmo querendo relutar intensamente. Eu tenho o amor dentro de mim e isso não muda, fico perdida em meio a um emaranhado de pensamentos confusos, vomito o verbo e dele nada é extraído. Vai ver é assim mesmo, um dia chega alguém que compreende todos os seus tumultos internos e se propõe a dividi-los com você. E todos saem felizes, ou pelo menos assim transparecem, até que novos tumultos cheguem e falte espaço pra repartir.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pois é, não deu...

...deixa assim como está, sereno.
Cabeça pulsando, borboletas esmagadas no estômago e um infinito de sensações que não cabem em si. Por quê? Porque é assim e pronto, aceite. Aceitar, talvez uma das coisas que eu mais fiz nesses últimos tempos, aprender a abaixar a cabeça nunca foi um dom mas até que soube disfarçar bem. A gente fica até sem forças pra chorar. Que pranto, que nada! 'Quero dançar com outro par, pra variar, amor.'
Estranho e confuso. Mas ninguém disse que seria fácil(...)
Mais do que nunca, quero que me desliguem da tomada.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

9ºC

Queria escrever algo.
Algo que ninguém pudesse entender,
Que só meu corpo cantasse e minha alma ouvisse.


Mas me sinto tão inteira,
Tão completamente bem
Transparecendo luz
Que até o mais insensível dos seres
Perceberia que você chegou.


E junto de você, toda essa alegria
Essa calmaria que me tira a calma
E me atira na cama
Com o nosso encaixe tão perfeito


Como se só isso bastasse
Teu riso no meu riso
E teu abraço no meu braço
Um feito de dois


Queria isto do agora até o depois.