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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

me falta o mar e a lucidez,
a certeza e a insensatez.

el dibujo es una sombra 

Renato me acompanha,
me falta a lucidez...

tinha dentro dela todas as certezas do mundo,
que o próprio mundo apagou.

pensava que sabia da vida
mas quem sabia de mim era ela
que me agarrava pelo braço e dizia 'despiértate, chica! ya no hay más tiempo...si quieres ser feliz como me dices...no analices...'



rascunho de agosto

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

quando ele viveu o que eu sinto...



(Caio F ao amigo Charles K.)
"Andei escrevendo bastante. De repente, acho que está saindo um livro novo. Sabe que tenho MEDO de escrever? Evito sempre que posso. Dá uma grande exaustão, depois... Uma exaustão agradável, mas a cabeça fica excitada demais, é qualquer coisa muito próxima da loucura. Mas nos últimos tempos não tenho conseguido evitar. Vai saindo. É meio assustador."


Não há mais unha, mais pele, mais espaço, nem ruas, nem calçadas em que todo esse caos interno possa transitar. Nem comida ou ao menos um café suficientemente saborosos para que possa ser esquecido toda amargura diária e mau humor alheio. Andei perambulando dentro de mim e sob pensamentos germânicos que me confortavam por um espaço curto de tempo. Tempo. Tempo. Tempo. Me sobra, me acanha, me perturba e me digere. Aos poucos percebi que esse caos não estava apenas dentro de mim. Estava entre minhas relações, meus anseios, meus desejos e tudo que nele se concretizava. Não acho mais fim, nem ponto, nem meio, nem vírgula. Não sigo mais as regras ortográficas e cansei-me de meias-palavras. Não quero mais pregar falso idealismo, nem aceitar meias-verdades.



Se queres ser feliz como me disse
No Analices
No Analices..


segunda-feira, 18 de julho de 2011

O dragão e a princesa.

“Os ossos e a carne – pensava – não bastam para formar um rosto, e é por isso que ele é infinitamente menos físico do que o corpo: é determinado pelo olhar, pelo ríctus da boca, pelas rugas, por todo esse conjunto de atributos sutis com que a alma se revela por meio da carne. Razão pela qual, no momento exato em que alguém morre, seu corpo se transforma abruptamente numa coisa diferente, tão diferente a ponto de se dizer “não parece a mesma pessoa”, apesar de ter os mesmos ossos e a mesma matéria de um segundo antes, um segundo antes do misterioso instante em que a alma se retira do corpo e este fica tão morto como uma casa da qual se retiram para sempre os seres que moram nela, e, sobretudo, que sofreram e se amaram nela. Pois não são as paredes, nem o telhado, nem o soalho que individualiza a casa, mas essas criaturas que lhe dão vida com suas conversas, seus risos, seus amores e ódios; criaturas que impregnam a casa de algo imaterial mas profundo, algo tão pouco material como o sorriso num rosto, embora se manifestando em objetos físicos como tapetes, as flores nos quartos, os discos e os livros, conquanto objetos materiais, são, porém (assim como os lábios e as sobrancelhas também pertencem à carne), manifestações da alma, já que a alma só pode se manifestar aos nossos olhos materiais por meio da matéria, o que constitui a sua precariedade mas também a sua curiosa sutileza.(...)"

-Ernesto Sabato;
"Sobre heróis e tumbas"

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desopilantes Amores

"Os equívocos resultantes da incapacidade fundamental que tem o homem de comunicar-se com os outros, e também consigo mesmo(...)Surgem desses mal-entendidos novas circunstâncias e novas personalidades que os amantes têm dificuldade em reconhecer, e que podem ser reveladoras ou ameaçadoras. Seus amores não descem nunca a níveis profundos de comunicação, e por isso eles são vulneráveis a qualquer situação que coloque sob um ângulo novo as pessoas amadas. No fundo, são amores mais trágicos do que risíveis, porque distantes de um entendimento autêntico entre os que se amam."


Risíveis Amores, de Milan Kundera.



Ps.: Obrigada, Lucy!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sem mais desvarios...


'Se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair'



Cansei da loucura, do delírio, do êxtase; ainda me alimento disso mas é melhor abdicar-se agora, antes que a dependência se torne crônica. A gente não morre de amor, mas decidimos morrer por ele! É uma escolha com consequências imediatas que depois de analisarmos bem, dizemos: 'Valeu a pena.' Talvez valha mesmo, mas por ora o período é de descrença...


segunda-feira, 30 de agosto de 2010






[...]Agora está tão longe...Vê, a linha do horizonte me distrai. Dos nossos planos é que tenho mais saudade, quando olhávamos juntos na mesma direção. Aonde está você agora além de aqui dentro de mim? Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou. Vai ser difícil sem você, porque você está comigo o tempo todo e quando eu vejo o mar, existe algo que diz que a vida continua e se entregar é uma bobagem. Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim. Quero ser feliz ao menos. Lembra que o plano era ficarmos bem?[...]











terça-feira, 12 de janeiro de 2010

My Tragic Flaw

EVERWOOD

"Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem iguais. Eu não tenho certeza de quem foi a primeira pessoa a falar isso. Provavelmente Shakespeare ou talvez Sting.
Mas no momento, é a frase que melhor explica o meu defeito: minha incapacidade de mudar. Eu não acho que estou sozinho nisso, quanto mais eu conheço outras pessoas, mais eu percebo ese tipo de defeito. Permanecendo exatamente iguais, enquanto for possível, permanecendo perfeitamente imóveis, se sentem bem de alguma forma. E se você está sofrendo, a dor é pelo menos familiar. Porque se você agarrar esse salto de fé, indo fora da caixa, fazendo algo inesperado, quem saberá que outra dor poderá estar esperando lá fora? As chances podem ser ainda piores. Então você mantém o atual status, escolhendo a estrada já conhecida e isso não parece tão ruim, não tanto quanto o defeito pode chegar. Você não é um viciado em drogas, você não está matando ninguém, exceto um pouco de voce mesmo, talvez. Quando finalmente mudamos, eu não acredito que aconteça como um terremoto ou uma explosão, onde subitamente tudo que somos vira uma pessoa diferente. Acho que é muito menor que isso. O tipo de coisa que a maioria das pessoas não vai nem perceber ao menos que olhem de perto, extremamente de perto, o qual, graças a Deus, elas nunca fazem. Mas você percebeu isso. Dentro de você, essa mudança se parece como um mundo de diferença e você espera que assim seja...Para que esta seja a pessoa que você será pra sempre.
Para que nunca mais tenha que mudar novamente."


:*