euforia de poetizar a vida
não com rimas feitas,
rimas frias
rimas esquecidas
daquelas que somem depois de um banho
depois de um sonho
depois de um pranto.
rimas que se perdem na esquina
quando cruzo a avenida
quando viro a página
quando fecho o livro.
rimas que se calam depois do vinho,
que viram rascunho
saem p'ra rua
se embebedam de chuva
e
quando secam
esquecem a direção de casa.
rimas atrevidas
bandidas
inóspitas
que não cabem em lugar nenhum
nem no peito
nem no papel
mas quando chegam
quando ficam
arrombam portas e persianas
explodem em dedos
em tintas
rimas bandidas
que roubam a fala
e o ar
derrubam muros
e portas
arrombam
peito e alma.
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domingo, 22 de setembro de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
não aqui
Olhares fortes,
De coloridos fortes a olhar.
O pensamento distante,
Voando pra outro lugar.
Pensei que estaria salva
Do indício de amar.
Encontrei-me com ele
Outra vez,
E não o deixei passar.
Volta pra lá!
Pro sertão
do lado de lá!
É onde deves ficar...
terça-feira, 5 de março de 2013
pousa em paz.
Sai da janela, menina.
Deixa o tempo passar sossegado
não espere que ele passe ao seu lado.
Afinal, há tanta vida a passar
e o mundo não é
feito de dois
pra te enfeitar.
Deixa o tempo passar sossegado
não espere que ele passe ao seu lado.
Afinal, há tanta vida a passar
e o mundo não é
feito de dois
pra te enfeitar.
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poemas,
tempo
terça-feira, 27 de novembro de 2012
outro dia do lado de lá
Outro dia do lado de lá
Dezessete, nove, pois...
Dezenove, três, pois...
Tá escutando? Tá
escutando?
Ando bêbado de
lucidez, impregnado de realidade.
“Mantenha o
controle!”- diziam-me.
Um cigarro, um trago,
um pega, um tiro, um pico.
Um pico de felicidade,
mais uma dose, por favor.
Não era esse o
problema.
O problema estava em
volta e não dentro de mim,
mas eles não ouviam,
não observavam.
Certamente era mais
fácil fechar os olhos.
Eu também gostaria de
ter fechado os meus,
mas a madrugada no
quarto falava mais alto,
e, junto dela, as
paredes e as camas chamavam-me.
“Vai ser melhor pra
você!”
Do lado de dentro éramos
zoológicos, zumbis e zuretas.
Neste depósito de
carne humana,
depositei todo meu
resto de lucidez.
Enquanto os homens de
branco
faziam daquele espaço
entre muros
seu teatro
particular.
Éramos seus fantoches
preferidos.
“Mais um pouco de
sossega leão, senhor?”
Tá escutando? Tá
escutando?
Você tá me escutando?
O pátio ainda estava
sujo
infestado de tristeza
mundana,
tristeza humana e
dejetos.
Os gritos à noite
eram mais intensos.
Pior eram os gritos
da cabeça,
da minha própria
cabeça
encharcada de desejos
secretos.
Era o diabo, estava
eu no inferno,
no teatro dos
vampiros
e os sanguessugas não
éramos nós.
Invadiram-me com
ondas na cabeça,
no cérebro fui
sentenciado.
Em uma dessas
descargas de energia
lembrei-me de minha
criança,
do seus olhos que
vagavam
e hoje não sei por
onde vagam mais.
Aqui os dias passam.
Até quando passarão,
não sei.
Acho que não me
importa.
sucumbi a tudo que
ouvi,
Sucumbi às pílulas,
ao prontuário
e aos homens de
branco.
À infinidade de
verdades
que me fizeram
acreditar.
Já não me importa
mais.
Tá escutando? Tá
escutando?
Você tá me escutando?
Você deseja me escutar?
Dedicado àquele que joga a pedra e esconde à
mão.
J. Gottschalk
Para a disciplina "O campo da atenção psicossocial"
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
ei, lobo da estepe...
''lobo da estepe, acredito na tua dor.''
Era um dos olhares mais fortes que os olhos já alcançaram.Ninguém entendia muito bem o que se passava em meio a tanta conversa, lenha, músicas e fogueira. Mas era algo forte, definitivamente. Sentíamos medo do próximo instante, do porvir. A prisão, as pedras preciosas, a morte, o crime, a penitência, a culpa e a vida a qual agora era obrigado a submeter-se. Não! Ele era forte demais para submeter-se a algo. E se estava lá, era porque havia apostado grande parte das fichas nesse jogo. Mas não todas. Não! Não era imprudente.
Era como o Lobo-Harry. Forte demais para lutar, fraco o suficiente para cair.
Todos ao redor o lembravam constantemente de sua
Se arrependimento matasse(...)não saberia dizer o que faria, pois arrependimento não era um sentimento possível para os homens de pele vermelha. Arrependimento é coisa de homem branco e fraco - não era para ele. Nem para lobos das estepes.
Gostaria de lembrar as palavras que atravessaram meu corpo e espírito. Das palavras que borbulharam durante uma noite de pouca lua. Poucas lembranças concretas, às vezes até parece sonho. Sei que não é. Ainda posso sentir o calafrio daquela noite e a pedra esverdeada - seria um quartzo verde?- me acompanha. Ainda não virou um colar, como havia prometido, mas um dia virará. E eu voltarei só para mostrar-te como fui grata por esse encontro.
''esse lobo nunca mais vai uivar...''
domingo, 18 de novembro de 2012
fuga
Tinha tanto medo de ser feliz
que, ao ver a mínima chance
correu para outro copo de café.
quem haveria de resgatá-la outra vez?
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manhã de caos e cães.,
tempo
Local:
Assis - São Paulo, Brasil
domingo, 11 de novembro de 2012
só.
Hoje não precisava escrever sobre sentimentos mortos
coisas enterradas
ou trechos de seu alemão ou argentino preferido.
hoje deveria parar de ferver, borbulhar
pensar, pulsar.
hoje, a noite seria distinta
poderia encostar o cabelo
e olhar o teto de tsurus
sem medo do amanhã amanhecendo.
a Segunda poderia esperar
pra bagunçar um pouco mais
todo resto da semana.
coisas enterradas
ou trechos de seu alemão ou argentino preferido.
hoje deveria parar de ferver, borbulhar
pensar, pulsar.
hoje, a noite seria distinta
poderia encostar o cabelo
e olhar o teto de tsurus
sem medo do amanhã amanhecendo.
a Segunda poderia esperar
pra bagunçar um pouco mais
todo resto da semana.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quando ele viveu o que eu sinto...
(Caio F ao amigo Charles K.)
"Andei escrevendo bastante. De repente, acho que está saindo
um livro novo. Sabe que tenho MEDO de escrever? Evito sempre que posso. Dá uma
grande exaustão, depois... Uma exaustão agradável, mas a cabeça fica excitada
demais, é qualquer coisa muito próxima da loucura. Mas nos últimos tempos não
tenho conseguido evitar. Vai saindo. É meio assustador."
Não há mais unha, mais pele, mais espaço, nem ruas, nem calçadas em que todo esse caos interno possa transitar. Nem comida ou ao menos um café suficientemente saborosos para que possa ser esquecido toda amargura diária e mau humor alheio. Andei perambulando dentro de mim e sob pensamentos germânicos que me confortavam por um espaço curto de tempo. Tempo. Tempo. Tempo. Me sobra, me acanha, me perturba e me digere. Aos poucos percebi que esse caos não estava apenas dentro de mim. Estava entre minhas relações, meus anseios, meus desejos e tudo que nele se concretizava. Não acho mais fim, nem ponto, nem meio, nem vírgula. Não sigo mais as regras ortográficas e cansei-me de meias-palavras. Não quero mais pregar falso idealismo, nem aceitar meias-verdades.
Se queres ser feliz como me disse
No Analices
No Analices..
No Analices
No Analices..
domingo, 31 de julho de 2011
;três semanas
'E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser...'
Toda a distância, todo esse tempo ultrapassado e prejudicado pôde ser resgatado dentro de mim e em alguma parte você estava lá, quietinho, manso, como deveria estar. As lembranças nunca morreram, por mais que eu fugisse, lá estavam. Nunca esquecerei do bem que você me fa(e)z, de todos os sorrisos sinceros, todas as brigas, - aquelas em que eu queria morrer por não conseguir guardar uma gota de raiva de ti - todos os abraços eternos onde o tempo poderia parar. E parou. E acabou. Três semanas. Três palavras; você sabe, ninguém mais pode saber.
'...Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.'
Obrigada, eu te amo.
sábado, 28 de agosto de 2010
Próxima parada: Estação dos amores interrompidos.
Poderia ser mais fácil perder-te e não me importar.
Me perdendo junto de ti, dentro de ti, seria mais fácil.
Absolutamente mais fácil.
A espera é longa, o tempo dói e as horas não passam.
O longo trem passa, para e você não desce.
Desaparece em meus dias, hoje tão sem emoções.
Nos corações de quem fica, um pouco de você está aqui
Isso conforta, amansa, mas não cura
Dura uma eternidade olhar no grande relógio, que marca 20:55.
Em meio a próxima estação, me perco dentro de olhares
Procurando somente a ti, que aqui não está
Eu espero o que for,
E que a dor não perdure[...]
Me perdendo junto de ti, dentro de ti, seria mais fácil.
Absolutamente mais fácil.
A espera é longa, o tempo dói e as horas não passam.
O longo trem passa, para e você não desce.
Desaparece em meus dias, hoje tão sem emoções.
Nos corações de quem fica, um pouco de você está aqui
Isso conforta, amansa, mas não cura
Dura uma eternidade olhar no grande relógio, que marca 20:55.
Em meio a próxima estação, me perco dentro de olhares
Procurando somente a ti, que aqui não está
Eu espero o que for,
E que a dor não perdure[...]
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