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sábado, 10 de setembro de 2011

do lado de dentro.




'Quando eu falava dessas cores mórbidas
Mas eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou.'


Muitas noites no quarto de dormir, sozinha, acompanhada de homens e mulheres sórdidos, pensando em como poderia ser diferente. Porque, na verdade, a gente sempre quer que seja diferente. Buscamos - sempre escondendo de nós mesmos - espontaneamente por algo que mude nossas vidas; adicionamos roupas, adornos, pessoas e outras vulgaridades para enganar a solidão. Ou a solitude?

Amiúde, esses motores e pessoas agudas que passam sob a janela me tiram o sossego, mas pouco do sono. O olhar desta é intrigante, enganador, e(x)trangeiro, exposistor. Além do que se vê. Quantas pessoas passam sob a janela e olham para a mesma ? Quantas não gostariam de saber quem habita o outro lado dela? Quantas não vêem a luz acesa atrás da janela e questionam-se sobre aquele momento? Quantas já não quiseram saltá-la? Quantas decisões foram tomadas naquele parapeito sob o luar e quantas foram concretizadas ao nascer do sol? Quantas e quais ainda serão? Quem ainda se debruçará? Quais serão as suas angústias e temores ?


Esta noite, graças à janela lateral, consigo valorizar meus instantes de solitude e agradecê-los por conseguir enxergar-me com outras lentes - um pouco sujas ainda, verdade que não escondo - lentes de dentro da janela. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sereníssima

Às vezes é melhor se deixar levar, cair de cara com o chão pode ser menos impactante que viver algo irreal e se deparar com isso em um certo momento da sua vida. O choque pode ser brutal e irreversível. E poucas coisas na vida são irreversíveis. Esse animal cheio de impulsos dentro de mim não adormece nunca - e também nunca aprende que a calmaria pode ser uma alternativa menos complicada.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As Pontes de Madson

There is a pleasure in the pathless woods,
There is a rapture on the lonely shore,
There is society, where none intrudes,
By the deep sea, and music in its roar:
I love not man the less, but Nature more,
From these our interviews, in which I steal
From all I may be, or have been before,
To mingle with the Universe, and feel
What I can ne’er express, yet cannot all conceal.
                                                                                       L. Byron




Mais do que me jogar de cabeça. É não ter medo de fazê-lo, de errar, de enfrentar todas as desilusões que possam ocorrer. Começa assim, pequenas doses de paixão, suor, palavras que aceleram as batidas no peito. A imaginação viaja por todos os mundos e mesmo assim você não acredita que isso está acontecendo com você. Não nesse instante, quando tudo parecia tão paralelo, tão distante e tão...sem graça. Nem do mais alto precipício, nem da mais alta ponte eu conseguiria sentir tal emoção. Sou exagerada, confesso. Intensidade deveria ser meu nome do meio e sem noção o sobrenome. Mas a teimosia me pega fazendo cócegas para que eu insista em insistir. Aquela velha história da romântica incorrigível dá as caras novamente[...]
O importante não é o quanto eu arrisque e erre, e sim o quanto de aprendizado eu consigo tirar disso. E o veredicto final é sempre o mesmo: nunca aprenderei nada; nem com as paixões, muito menos com o amor.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Por favor, desliguem seus pagers e celulares.

Era só isso que eu queria. Era tudo uma questão de paz e ar fresco. Normalmente eu encontraria isso na praia, mas nem a praia me satisfazia mais. Isso chegou a ser meio preocupante, levando em conta que às vezes me sinto em situações diárias de fugas. Tenho a impressão de que nunca estou satisfeita com nada e fujo. O tédio me acha, eu corro. As pessoas me acham, eu corro. Chegam as preocupações, as contas, até as calorias! E eu fujo, sem perceber. Dou as costas para quase tudo que um dia me tiraria o sono. Descobrir que ver uma criança de seis anos brincando com seus bonecos de plástico ou uma linda menina de cachinhos loiros, olhos bem azuis e uma mãozinha tão delicada e ao mesmo tempo tão forte, capaz de agarrar a sua boneca enquanto tenta não perder o impulso no balanço não tem preço, foi de longe uma das melhores sensações que tive hoje. E só de pensar que muita gente vai embora sem nunca ter percebido isso...dá um nó no coração!
Hoje eu só quero saber de dormir em paz...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

muitos temores nascem do cansaço[...]

Esses olhos marejados não se explicam facilmente. Talvez eu nem esteja procurando por alguma explicação, alguma lógica nesse emaranhado de pensamentos confusos. Ou talvez eu quisesse ter a certeza de que, de alguma forma, pertenço a algum lugar e que nesse lugar, as pessoas se encaixam no meu eu, na minha presença. Mas não. Não é a toa que uma das minhas passagens favoritas do Apanhador é um diálogo entre o Holden e a Sally, em que eles discutem sobre a futilidade dos grupos de seu colégio . E Holden se mostra indignado, pois aparentemente não consegue enxergar nada de nada naquele ou em outro lugar qualquer. E é exatamente como me sinto. Fora de adaptação em espaço ou tempo que seja. Sabe aquelas sensações que nos levam a horas e horas de conversas de bar e no fim da cerveja não chegamos nem à metade de expressar-se inteiramente? Pois então, esse é um exemplo fantástico de como me sinto e no momento, como só disponho da minha cama, um café e algumas torradas, não consigo ter paciência para levar isso aqui à frente e afinal, acho que não quero mais.



- Concordo! Concordo, alguns deles encontram mesmo. Mas eu só encontro isso. Compreendeu? Esse é que é o caso. É exatamente o meu problema. Não encontro praticamente nada em nada. Estou mal de vida. Estou péssimo.
- E está mesmo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Time to grow up!

O amadurecimento me causa muito medo. Desde que me mudei para a pequena cidadezinha chamada Assis, não derramei nenhuma lágrima - tirando o dia que vi meus pais voltando para Santos, mas durou uns cinco minutos e pronto. Foi como se nada tivesse acontecido. A segunda vez que as lágrimas caíram foi dentro do ônibus Assis-Santos, pensando que depois de um mês inteiro sem voltar para casa, eu finalmente teria minha cama, minha cidade, minha praia. Mas e daí? Será que seria a mesma coisa? Será que eu conseguiria me REadaptar? A pior coisa dentro disso tudo, é a oscilação entre um costume e outro, uma terra e outra, um certo grupo de pessoas e outro. Coisas tão diferentes que estão em constante desequilíbrio e eu tenho que lutar para permanecer estável nessa gangorra de sentimentos. Quando a "ficha cai" e você percebe que agora não tem mais jeito, que desistir nem passa pela sua cabeça e enfrentar todas as dificuldades é o que você terá que fazer nos próximos cinco anos da sua vida, dá um certo frio na barriga, uma certa interrogação gigante brota na sua mente, mas o resultado vai valer a pena. Eu sei que valerá!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Uma criança com o seu olhar.

"Que bom viver, como é bom sonhar e o que ficou pra trás, passou e eu não me importei. Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido. Ainda vejo o mundo com os olhos de criança que só quer brincar, e não tanta responsa, mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir. Livre pra poder sorrir, sim. Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol!"

Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou pensando em 'como seria se...'. Tomamos um rumo em nossas vidas que nunca, nem em nossos sonhos mais loucos, imaginaríamos tomar. Talvez você seja uma pessoa bem sem graça e esteja em uma posição que você planejou anos antes. Que marasmo, meu Deus! A grande beleza da vida é poder contornar as voltas e as passadas de perna que ela te dá. Sim, você pode ter errado em algumas decisões, mas e daí? Você sempre vai poder recomeçar. Se passássemos mais tempo vivendo do que planejando, realizando do que sonhando, com certeza seríamos bem mais felizes, sem tantas dúvidas rondando a nossa minúscula e insignificante cabecinha.