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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

às lindas casualidades.

''No es la necesidad, sino la casualidad, la que está llena de encantos. Si el amor debe ser inolvidable, las casualidades deben volar hacia él desde el primer momento(...)''

esse mundo que é só grandeza, depois de um tempo, deixou de ser cruel. desde o dia em que você apareceu nele. no meu mundo. desde o dia em que eu cruzei a porta de madeira pela primeira vez, desde a primeira pizza vegetariana, o primeiro olhar e o primeiro sorriso. desde a música que não saía da minha cabeça, ''decime como se llama, por favor!''. desde o primeiro toque de amor que durou uma eternidade. desde o primeiro choro de saudade. desde o dia que eu percebi que você não era mais um, mas um. foi quando eu agradeci por todas as casualidades que me levaram até você. desisti de numerá-las e me permiti senti-las. me permiti dançar no living com você enquanto as pessoas dormiam, e andar como patito ao cruzar a rua. permiti que todos vissem o quanto tudo aquilo que existe aqui dentro é teu. e o quanto isso me agrada. a tua presença com a minha. e poder contar todos os lunares do teu rosto. e não se importar com as horas. porque todo tempo do mundo é muito pouco com você.

te amo nesses dias em que a vida se clareou pra mim. obrigada por mostrar-me que eu não sabia nada das coisas. você é o meu melhor acaso.  






"es kónnte auch anders sein: también podía haber sido de otro modo",  mas nesse instante, outra forma de felicidade não me cabe.

sábado, 20 de abril de 2013

a senhora dona do cheiro de travesseiro.

O cheiro do quarto. Era um cheiro peculiar, de seus perfumes que lutava diariamente para que estivessem lá, presentes. Seguro que não havia um que entrasse no quarto e não sentisse o cheiro que de lá exalava. Ou seria isso coisa da minha cabeça? É possível também, haviam muitas coisas dentro dela. Mas o cheiro do travesseiro é algo que não me sai da memória. o cheiro e seus afetos. Entrava correndo no quarto para acordá-la e metia o nariz no travesseiro - ou melhor dizendo, nos travesseiros, visto que seu companheiro de quarto dormia com dois no joelho, dois na cabeça, um no braço.
- Acorda, acorda!
- Só mais cinco minutinhos, Jé...
(...)
(...)
- E agora? Já dormiu os cinco minutinhos?

Mais vinte minutos na cama. Não há nada que vinte minutos na cama não resolva. Depois de abrir os olhos, vinte minutos na cama, é essencial, faz bem pro coração e alivia.
Levantava e rotina diária de higiene. O jeito de ajeitar o cabelo. "Preciso dar um jeito nessa coisa horrorosa."
E também o jeito de servir-se de café. Como demorava para comer! Minhas pernas já estavam impacientes.  A mania de decidir no café da manhã o que iria almoçar mais tarde. Não! Não! Esquece isso, vamos comer esse aqui, primeiro...
As brincadeiras de um futuro inimaginavelmente bom! A Ana, o Pedro e o Lucas. Não lembro quem era o mais velho, mas você também não. Mais um café, mais conversas que ouvia atrás da porta e queria reproduzi-las com você. Não sei o quanto você compreendia ou gostava daquilo tudo. Mas eu adorava. Obrigada por esse tempo despendido todo para mim. Para nós.
Depois de alguns anos, depois das conversas de conto de fadas, sei que por muitas vezes não tive a mesma paciência que comigo teve, mas, como somos terrivelmente egoístas e cuidadosos, sei que vais me perdoar, sim?

Agora não precisamos mais nos disfarçar de outros, fazer historinhas de chá da tarde, problemas com os filhos, com os maridos, agora podemos falar sobre a vida real. Olhando uma para a outra e com a sinceridade de uma mulher para com outra. De uma amiga para outra. De avó para neta. Agora caminhar com você pelas ruas é mais agradável, agora te entendo, te sinto no tempo e espaço certos.

Aqui, aí, do outro lado de lá, em um navio, no meio das areias, nas casas de jogos ilegais, no cinema, na sorveteria, tomando açaí, comprando qualquer porcaria em ruas, com os seus amigos, com os meus, em qualquer lugar. Te quero assim, sempre com essa gana de vida, de amor com tudo e todos. Como eu te admiro! Obrigada por me fazer mais mulher, mais humana. Feliz aniversário! Queria dar-te um abraço esmagador agora. Sinta-o daí!




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

vai-e-vem

As poesias que não saem da cabeça. O dia-a-dia mais longo do mundo. Nem 24 horas bastariam. As centenas de prosas e versos que eu nunca mostrarei. Nem pra mim mesma. As palavras que não disse. E as que disse. Os meninos malabaristas do canal. Eram professores. A Tia Ucha da segunda série e o seu violão. Os dias de brinquedo. A sexta-feira prometida. O dia da piscina. O corpo que se escondia. O salto olímpico mais alto que já dei. Que nunca se repetirá. As primeiras pulseiras. As miçangas. Junto com as linhas. O escorregador de tinta fresca. A piscina de bolinha que traumatizou. A primeira cachorra. O primeiro peixe. O cheiro da ração. Os dias de morte. A melhor batata frita do mundo. O quartinho da bagunça. O primeiro computador. Meu jornal de papel. As horas despendidas para o primeiro site. A banda favorita. O primeiro show da banda favorita. As poesias de $0,10 centavos. As férias em Peruíbe. O cheiro do cloro da piscina. O cheiro da baleia-boia. O cheiro do churrasco. A casa do Tio Leão. O chinelinho da Mônica e o tênis da Jessie. O tênis de luz vermelha. A Barbie que eu nunca tive. O melhor Natal. E o pior. A coleção infinita de livros. Os livros de borracha. De madeira. De plástico(...). Os livros que eu nunca escrevi. Os que eu ainda escreverei. A textura da serpentina. E dos confetes. O carnaval no clube. A casa da Tia Celeste. As pegadas do coelho-avô-da-Páscoa. O desejo de ter mais que 12 anos. O medo que segue até hoje. A cerveja do pai. A vitrola do avô. Os bordados da mãe. O açúcar roubado. Os beijos roubados. O jeito precoce. As comidas de água e farinha. A cozinha perfeita. Não era mais tão perfeita assim. A primeira montanha-russa. Despencou.



O tudo que eu fui e morreu. E tudo que eu ainda posso ser.
Nostalgia não é tristeza. Ao contrário.



quinta-feira, 30 de junho de 2011

Doce solidão

De repente bateu uma saudade. Daquelas que doem, que questionam quem você costumava ser e quem você é nesse exato momento. Os seus antigos amores - que hoje parecem nunca ter existido - hoje não faz sentido você tê-los amado tanto. Parece impossível crer, mas sim, o mundo de três anos atrás assemelha-se a um sonho qualquer, do qual hoje você despertou e pôde compreender o real sentido da sua vida. E quantos outros 'despertar' hão de vir? Vejo-me inventando desculpas e procurando explicações para todos os erros que cometi e tento achar o porquê de tantas noites mal dormidas quando na verdade tudo não passava de um sonho. No fundo, vejo algo pulsando interiormente que sempre esteve aqui dentro e é esse o nosso algo infinito, a nossa essência, que morrerá junto ao nosso corpo, mas se juntará a outras tantas que encontramos durante essa passagem, eternizando-nos; aquilo que ninguém pode tirar de mim – nem de ninguém.


                                                                     

'Posso estar só
 Mas, sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá!
Solidão, foge que eu te encontro
Que eu já tenho asa
Isso lá é bom, doce solidão?' 

domingo, 19 de junho de 2011

as cores bonitas.

Queria achar frases prontas, algo finalizado para não ter que lembrar mais uma vez de todos os bons momentos que passaram. Mas é impossível, inevitável e inútil querer se proteger das lembranças que vem à tona.
Despedidas deveriam ser proibidas. Não consigo achar outra razão para o meu pranto, que não seja essa imensa solidão a que estamos constantemente condenados. Esse vai e vem de pessoas em nossas vidas, toda vulnerabilidade que existe aqui dentro; tudo, tudo isso deveria ser proibido. 
O que é a saudade? O que é esse medo que nos assombra como se o mundo fosse acabar amanhã e todas as nossas chances fossem desperdiçadas? Quantas pessoas não passam e simplesmente passam? Quantas vezes deixamos de falar algo com medo de ouvir a resposta? Quanto abraços ou 'eu te amo' faltaram na sua vida?


Eu não quero perder mais um milésimo de segundo...





E quando o dia não passar de um retrato
                                                           Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz.'

segunda-feira, 30 de agosto de 2010






[...]Agora está tão longe...Vê, a linha do horizonte me distrai. Dos nossos planos é que tenho mais saudade, quando olhávamos juntos na mesma direção. Aonde está você agora além de aqui dentro de mim? Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou. Vai ser difícil sem você, porque você está comigo o tempo todo e quando eu vejo o mar, existe algo que diz que a vida continua e se entregar é uma bobagem. Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim. Quero ser feliz ao menos. Lembra que o plano era ficarmos bem?[...]











sábado, 28 de agosto de 2010

Próxima parada: Estação dos amores interrompidos.

Poderia ser mais fácil perder-te e não me importar.
Me perdendo junto de ti, dentro de ti, seria mais fácil.
Absolutamente mais fácil.
A espera é longa, o tempo dói e as horas não passam.
O longo trem passa, para e você não desce.
Desaparece em meus dias, hoje tão sem emoções.
Nos corações de quem fica, um pouco de você está aqui
Isso conforta, amansa, mas não cura
Dura uma eternidade olhar no grande relógio, que marca 20:55.
Em meio a próxima estação, me perco dentro de olhares
Procurando somente a ti, que aqui não está
Eu espero o que for,
E que a dor não perdure[...]

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vento no Litoral

Como um sopro, um brisa leve e passageira, chegaste
Chegaste e eu nem me lembro como
Como partes de novo?
E de novo nossas vidas se distanciam de pouco em pouco
Poucas milhas nos afastam e nos aproximam um do outro
O outro que nos envolve, nos entristece, nos mata
Morrer de amor deve ser nobre
Não acredito nisso e nunca acreditei em reis
Reinado do meu corpo que você tomou posse
Eu nem me lembro como era antes[...]

E sobre nós?
Nossos planos e sonhos que eu desejo acreditar
E arriscar até perder as forças
Força que me deste e me tiraste em segundos
Segundos que não passam desde o momento em que fui embora
Voltaria no tempo para viver o antes
Agora já tão distante.