domingo, 1 de maio de 2011

Pequenas doses de vazio.

Poderia ser a fome ou o sono.
Poderia ser também aquela imensidão de palavras ditas
E atiradas a esmo...

Poderia ser a enxaqueca 
E todas as dúvidas que ela trouxe-me
Junto com você
E de todas essas maravilhosas madrugadas de apneia.

Deixar de devaneios e partir para o concreto seria mais fácil...




'Ela tem muita dúvida como todos têm. 
Mas nem todos sabem a beleza de saber lidar com a tristeza. 
Ela sabe'.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desopilantes Amores

"Os equívocos resultantes da incapacidade fundamental que tem o homem de comunicar-se com os outros, e também consigo mesmo(...)Surgem desses mal-entendidos novas circunstâncias e novas personalidades que os amantes têm dificuldade em reconhecer, e que podem ser reveladoras ou ameaçadoras. Seus amores não descem nunca a níveis profundos de comunicação, e por isso eles são vulneráveis a qualquer situação que coloque sob um ângulo novo as pessoas amadas. No fundo, são amores mais trágicos do que risíveis, porque distantes de um entendimento autêntico entre os que se amam."


Risíveis Amores, de Milan Kundera.



Ps.: Obrigada, Lucy!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tudo novo de novo(...)

"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim"


A calmaria chegou, enfim! Hoje até o Sol - embora esteja ele, timidamente atrás de algumas nuvens - parece sorrir pra mim. O final, nesse ínterim, não foi tão penoso como parecia nas primeiras horas e hoje consigo olhar tanto para dentro, quanto para fora e entender claramente que as coisas simplesmente acontecem e o mundo nunca vai parar de girar se em algum momento eu implorar para descer. É a famosa roda gigante, incessante e insensata, da qual todos fazemos parte. Repetindo nossos atos tão inócuos diante dos próprios olhos e pés, cabeças, mãos e coração...repetindo o ontem, hoje, amanhã e sempre. Nos jogando desse mesmo abismo, que outrora quase nos afogou e ao mesmo proporcionou-nos um gozo íntimo.
Tudo novo de novo, mas, se repararmos atentamente, talvez o novo seja apenas o velho mascarado com outras emoções para novamente nos fazer cair! E isso só descobriremos começando de novo e de novo e sempre...


"E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos

Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

let me take you down, cause i'm going to...

'Living is easy with eyes closed
Misunderstanding all you see
It's getting hard to be someone
But it all works out
It doesn't matter much to me'




Se essa vontade de agora me consumisse, aah...Aí eu teria motivos para duvidar da minha sanidade. O orgulho ferido pode ser o melhor ponto de apoio para um coração machucado. Equilíbrio é o que procuro, vamos lá, com mais algumas doses diárias de amor-próprio e boas companhias, quem sabe, então, não cheguemos ao final deste campo? E nesse fim, depois de nos saborearmos com tantos morangos deliciosamente amargos, depois de nos enganarmos com alguns no tom mais lindo do vermelho, que, no fundo, não estavam mais do que podres, depois de pisarmos e perdermos outros realmente bons, esmagados pelo nosso egoísmo de 
simplesmente não conseguirmos amar o outro; depois de todo esse caminho, o que vem para nós? Perto de tanta natureza este mundo em que vivo se transforma em uma formiga. E como eu queria poder esmagá-las às vezes...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

mais tarde




'Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar...

Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá.
Pode ser cruel a eternidade,
Eu ando em frente por sentir vontade.
(...)
Eu quis te convencer, mas chega de insistir...Caberá ao nosso amor o que há de vir.Pode ser a eternidade má,Caminho em frente pra sentir saudade.'


É que às vezes é tão real...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Aponta pra fé e rema.



O clima do Natal passou longe dessa vez. Geralmente todas as realizações e conquistas do ano vem à tona e um súbito sentimento de felicidade me cresce a alma. Esse final de ano foi sutilmente atacado por uma vontade de simplesmente não ser, não existir e não caber. Abracei tantos sonhos, tantas paixões e esperanças; foi como se mergulhasse em um oceano, ou riacho qualquer desconhecido e fosse impedida de emergir à superfície por centenas de obstáculos, pedras, animais, corais. Ou como se fosse vendada e lançada em plena avenida: ‘Vá, ande e viva’. Fui, caminhei e vivi, tudo da maneira mais intensa que pude.
                

Amei tanto e chorei mais um pouco. Gozei de extrema felicidade e tristeza. Quis sufocar de beijos e abraços do mesmo modo que quis morrer também. Não me livrei de nenhum paradoxo, busquei tudo que aparentemente me acrescentaria algo – o que nem sempre aconteceu. Conheci pessoas incríveis, conheci pessoas totalmente desprezíveis. Descobri o quão cruel um ser humano pode ser – e o quão burro, ao mesmo tempo. O quanto as pessoas se envolvem e se deixam envolver não está escrito, nem os desencantos que a solidão pode causar a uma mulher. Ah, os desencantos! Tanto os que causei, como os que sofri, não desejo ao meu pior inimigo o sentimento de desencantar-se com algo. Deveria ser proibido decepcionar e ser decepcionado por um grande-suposto-amor. A ferida fica alí, guardadinha e demora a sarar, mas nada que uma boa cerveja e uns amigos não resolvam, temporariamente, é claro.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sem mais desvarios...


'Se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair'



Cansei da loucura, do delírio, do êxtase; ainda me alimento disso mas é melhor abdicar-se agora, antes que a dependência se torne crônica. A gente não morre de amor, mas decidimos morrer por ele! É uma escolha com consequências imediatas que depois de analisarmos bem, dizemos: 'Valeu a pena.' Talvez valha mesmo, mas por ora o período é de descrença...