A gente sabe que esvaziou quando, quanto mais respiramos, menos conseguimos sentir. E não é por falta de querer mas, como dizia um carequinha muito do sabido, 'por limitação humana'.
Nada.
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Vazio e oco cabem em uma mesma oração?
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Ele sonhou que algo estava errado e, sonhando acordada do outro lado, ela também sabia que algo não se encaixava. Mas seguiam em frente como se a verdade fosse incapaz de saltar aos olhos. Nada era forte o suficiente para tirar-lhe o sono.
Nada.
Até essa noite.
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Fugir nunca soou tão excitantemente.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
do lado de dentro.
'Quando eu falava dessas cores mórbidas
Mas eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou.'
Muitas noites no quarto de dormir, sozinha, acompanhada de homens e mulheres sórdidos, pensando em como poderia ser diferente. Porque, na verdade, a gente sempre quer que seja diferente. Buscamos - sempre escondendo de nós mesmos - espontaneamente por algo que mude nossas vidas; adicionamos roupas, adornos, pessoas e outras vulgaridades para enganar a solidão. Ou a solitude?
Amiúde, esses motores e pessoas agudas que passam sob a janela me tiram o sossego, mas pouco do sono. O olhar desta é intrigante, enganador, e(x)trangeiro, exposistor. Além do que se vê. Quantas pessoas passam sob a janela e olham para a mesma ? Quantas não gostariam de saber quem habita o outro lado dela? Quantas não vêem a luz acesa atrás da janela e questionam-se sobre aquele momento? Quantas já não quiseram saltá-la? Quantas decisões foram tomadas naquele parapeito sob o luar e quantas foram concretizadas ao nascer do sol? Quantas e quais ainda serão? Quem ainda se debruçará? Quais serão as suas angústias e temores ?
Esta noite, graças à janela lateral, consigo valorizar meus instantes de solitude e agradecê-los por conseguir enxergar-me com outras lentes - um pouco sujas ainda, verdade que não escondo - lentes de dentro da janela.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
blablabla
Tenho pensado tanto, sempre abro essa página querendo dizer algo que eu nem sei o quê! Aí me sinto oca, estupidamente vazia sem conseguir verbalizar nada do que eu sinto. E rasgo de novo outra folha de papel com algumas frases desconexas rabiscadas. Tanta correria pra lá e pra cá, tanta gente sufocando suas vontades e seus desejos que você começa a questionar-se se é isso mesmo que você sente ou só mais um devaneio perdido...As pessoas demoram tanto pra fazer-se entender e quando finalmente fazem...ninguém entende nada!! Assim como no final deste monólogo ausente de sentido e semântica, assim como fingimos compreender uma equação terrivelmente assustadora ou uma simples frase filosófica, no final tudo fica sem compreensão.
É...é assim mesmo. E, ainda assim, me sinto aliviada de ter desmanchado tanta asneira!!
É...é assim mesmo. E, ainda assim, me sinto aliviada de ter desmanchado tanta asneira!!
domingo, 31 de julho de 2011
;três semanas
'E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser...'
Toda a distância, todo esse tempo ultrapassado e prejudicado pôde ser resgatado dentro de mim e em alguma parte você estava lá, quietinho, manso, como deveria estar. As lembranças nunca morreram, por mais que eu fugisse, lá estavam. Nunca esquecerei do bem que você me fa(e)z, de todos os sorrisos sinceros, todas as brigas, - aquelas em que eu queria morrer por não conseguir guardar uma gota de raiva de ti - todos os abraços eternos onde o tempo poderia parar. E parou. E acabou. Três semanas. Três palavras; você sabe, ninguém mais pode saber.
'...Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.'
Obrigada, eu te amo.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O dragão e a princesa.
“Os ossos e a carne – pensava – não bastam para formar um rosto, e é por isso que ele é infinitamente menos físico do que o corpo: é determinado pelo olhar, pelo ríctus da boca, pelas rugas, por todo esse conjunto de atributos sutis com que a alma se revela por meio da carne. Razão pela qual, no momento exato em que alguém morre, seu corpo se transforma abruptamente numa coisa diferente, tão diferente a ponto de se dizer “não parece a mesma pessoa”, apesar de ter os mesmos ossos e a mesma matéria de um segundo antes, um segundo antes do misterioso instante em que a alma se retira do corpo e este fica tão morto como uma casa da qual se retiram para sempre os seres que moram nela, e, sobretudo, que sofreram e se amaram nela. Pois não são as paredes, nem o telhado, nem o soalho que individualiza a casa, mas essas criaturas que lhe dão vida com suas conversas, seus risos, seus amores e ódios; criaturas que impregnam a casa de algo imaterial mas profundo, algo tão pouco material como o sorriso num rosto, embora se manifestando em objetos físicos como tapetes, as flores nos quartos, os discos e os livros, conquanto objetos materiais, são, porém (assim como os lábios e as sobrancelhas também pertencem à carne), manifestações da alma, já que a alma só pode se manifestar aos nossos olhos materiais por meio da matéria, o que constitui a sua precariedade mas também a sua curiosa sutileza.(...)"
-Ernesto Sabato;
"Sobre heróis e tumbas"
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Doce solidão
De repente bateu uma saudade. Daquelas que doem, que questionam quem você costumava ser e quem você é nesse exato momento. Os seus antigos amores - que hoje parecem nunca ter existido - hoje não faz sentido você tê-los amado tanto. Parece impossível crer, mas sim, o mundo de três anos atrás assemelha-se a um sonho qualquer, do qual hoje você despertou e pôde compreender o real sentido da sua vida. E quantos outros 'despertar' hão de vir? Vejo-me inventando desculpas e procurando explicações para todos os erros que cometi e tento achar o porquê de tantas noites mal dormidas quando na verdade tudo não passava de um sonho. No fundo, vejo algo pulsando interiormente que sempre esteve aqui dentro e é esse o nosso algo infinito, a nossa essência, que morrerá junto ao nosso corpo, mas se juntará a outras tantas que encontramos durante essa passagem, eternizando-nos; aquilo que ninguém pode tirar de mim – nem de ninguém.
'Posso estar só
Mas, sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá!
Solidão, foge que eu te encontro
Que eu já tenho asa
Isso lá é bom, doce solidão?'
Local:
Assis - São Paulo, Brasil
domingo, 19 de junho de 2011
as cores bonitas.
Queria achar frases prontas, algo finalizado para não ter que lembrar mais uma vez de todos os bons momentos que passaram. Mas é impossível, inevitável e inútil querer se proteger das lembranças que vem à tona.
Despedidas deveriam ser proibidas. Não consigo achar outra razão para o meu pranto, que não seja essa imensa solidão a que estamos constantemente condenados. Esse vai e vem de pessoas em nossas vidas, toda vulnerabilidade que existe aqui dentro; tudo, tudo isso deveria ser proibido.
O que é a saudade? O que é esse medo que nos assombra como se o mundo fosse acabar amanhã e todas as nossas chances fossem desperdiçadas? Quantas pessoas não passam e simplesmente passam? Quantas vezes deixamos de falar algo com medo de ouvir a resposta? Quanto abraços ou 'eu te amo' faltaram na sua vida?
Eu não quero perder mais um milésimo de segundo...
Despedidas deveriam ser proibidas. Não consigo achar outra razão para o meu pranto, que não seja essa imensa solidão a que estamos constantemente condenados. Esse vai e vem de pessoas em nossas vidas, toda vulnerabilidade que existe aqui dentro; tudo, tudo isso deveria ser proibido.
O que é a saudade? O que é esse medo que nos assombra como se o mundo fosse acabar amanhã e todas as nossas chances fossem desperdiçadas? Quantas pessoas não passam e simplesmente passam? Quantas vezes deixamos de falar algo com medo de ouvir a resposta? Quanto abraços ou 'eu te amo' faltaram na sua vida?
Eu não quero perder mais um milésimo de segundo...
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quartoSó aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz.'
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