domingo, 25 de março de 2012

fala pra ele...






Não era de se pensar. Não precisava, já não cabiam pensamentos naquela cabecinha. A mesma mente que gritava o quão vão seria aquilo, era aquela que, silenciosamente, dava razão a todo um sentimento que diariamente crescia dentro de seu corpo, mas era anônimo. Porque os sentimentos são assim mesmo, sem nome, sem medida, simplesmente são. E são às vezes, são em pequenos momentos, em atitudes, em toques, telefonemas e batidas aceleradas no peito. Desgraça de mania que temos de nomeá-los! Amei, sim, amei demais, amei um mundo de possibilidades que acreditei até o fim. Mas pouco sei sobre os sentimentos, os meus ainda me surpreendem. Já imagino seu rosto sonolento, lembrando da minha estúpida e incansável mania de falar, falar, falar e não chegar a lugar nenhum! Eu sei, também sinto náuseas de tanto girar e de me explicar sem respirar, como se o coração estivesse na boca, pronto pra explodir, sabe? Na verdade, existe um turbilhão de emoções aqui dentro e estas (quase) nunca são verbalizadas, mas discorrem bastante mundo afora...exteriorizadas em poesia, música, beijos e abraços prolongados...em ti.



''Fala pra ele
Que ele é um sonho bom
Que mudou o tom
Da tua vida...''




Foi impossível pensar em um título que se enquadre; acho que por você ser exatamente assim, sem formas, sem padrão, sem saber-porque, apenas é. E se não quer ser, também não é. Entendeu? É você! Esse texto já perdeu o sentido na segunda linha, talvez pela minha ingenuidade de no fim encontrar uma resposta que me tranquilize. Mas não tem jeito. Se existe algo que não é tranquilo, é esse 'algo' (sem aspas, por favor) entre nós. 


E que continue assim...equilibrando-se em furacões - porque eu não quero parar de girar - e chão com teto estrelado, pra colocar tudo no seu devido lugar.
















dedicado a um quebra-cabeça pensante (e inconstante)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

desviando...

É claro que a gente se encontra se perdendo. Tá, tá...é bem verdade e não teria melhor clichê pra descrever esse meu momento. Esse momento só meu, de tanta reviravolta, desconstruções e sensações.
Parece que às vezes as pessoas decidem jogar todos nossos sentimentos num liquidificador e depois de pronto, jogam fora a receita sem nem ao menos nos ensinar! Tenho brincado muito disso nos últimos tempos...e é algo viciante. Me parece que já não acho mais o meu ponto de equilíbrio. Me viciei em desequilibrar, ou pelo menos em buscar quem faça isso por mim. Estar fora de si, fugir para outra realidade, outra dimensão, ou mudar o caminho de todo dia às vezes, mesmo que isso exija mais tempo.
Desviar as rotas da rotina. Até quando?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O ponto de ônibus...


O ponto de ônibus - mas não só ele - era o seu abrigo. Abaixo dele depositava todas as suas esperanças de um novo dia ou uma nova tarde que viria. Nunca a noite. A noite era dura consigo e com a sua guria. A noite era infiel, insegura, ingrata. Usava como escudo sua pequena cria, coberta de meios trapos, meias roupas que mais cedo ou mais tarde cederiam à chuva. A mãe tinha aquele olhar que reconhecemos de longe quando as coisas não vão bem. Pessoas de pouca sorte. Uma perguntava-se o porquê de estar neste mundo vivendo essa vida, a outra não sabia seu papel nesse lugar - não ainda. E mesmo tão vivas, tão cheias de ar, de carne, de pele, mesmo com tanta cor, as pessoas que passavam por elas, apenas passavam. Eram translúcidas, as duas. Transpassavam pelos olhos nus e vestidos de lunetas também. Concomitantemente, ambas exalavam uma esperança, uma vontade de vencer, algo que nós - os opacos - esquecemos de sentir. A vida é tão fácil, afinal...







Era só um ponto de ônibus. Era um lar, um abrigo, um refúgio. Poderia ser um coqueiro, uma palafita, um casebre qualquer, mas era o ponto de ônibus. Poderia ser eu ou você debaixo dele. Mas por algum motivo que eu não compreendo bem, por alguma razão que vai além da minha capacidade de raciocínio, era Fabiana e sua filha, Mirian. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

zzZz

Não tem jeito, quando ela te alcança, é fatal. É um vira de cá, vira de lá e pronto: todas suas ideias, pensamentos e esperanças do dia seguinte parecem tão estúpidos que talvez você até desista de tudo. Um copo de água, talvez uma dose bem forte de alguma bebida muito ruim, ou para os mais ousados, café.

02:23

E por que é tão difícil verbalizar certas inseguranças e incertezas tão claramente expostas na mente e emaranhadas na alma ?

02:25

E nada...parece mesmo uma eternidade de tempo aqui nesse colchão.
Sozinho o relógio é ainda mais ingrato.

02:26
Insônia...pra quê?
Hora de encarar o cobertor,
ou quem sabe um programa na televisão de mau gosto...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"O que não tem certeza...

...nem nunca terá!"


Durante muito tempo me flagrava pensando o que estava fazendo com a minha vida. Somente agora - embora não sem muitas frustrações e outras tanta pedras(e perdas) - percebi que não era o quê eu fazia, mas como eu seguia nisso.
Que tipos de caminhos eu trilhava e que tipos de pessoas eu permitia que trilhassem comigo, ou até mesmo, quantas vezes não desviei a rota por causa de alguém? Por onde isso me levou? Aonde eu cheguei? 
E novamente as perguntas erradas. Não consigo achar uma resposta pra elas e talvez nunca consiga. Nem uma soluçãozinha pra tanta palpitação aqui dentro? Parece tão injusto...


Não é preciso muitas palavras pra isso, um mundo de gente sente-se assim no mínimo dez vezes a cada trinta dias...meio jogado, meio bambo, meio cai-ou-não-cai. E essa é minha grande dúvida: qual a beleza nisso? De certo existe. Sempre existe uma beleza irresistível na tristeza. O momento em que se cai, quando você finalmente olha ao redor e como um insight tudo flui nessa cabeça oca, ou quando levantamos e mais uma vez criamos a ilusão de que tudo serão flores novamente? 




Também não consegui achar o final pra esse texto...e isso não é nem um pouco injusto. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

#25

Existia alguma coisa naquele rapaz, alguma coisa que paralisava-a e ao mesmo tempo, irritava. Talvez fosse aquela falsa sensação de liberdade que ele transmitia, talvez fosse o sorriso, a espontaneidade ou o modo como ele adentrava uma roda de bar e despertava olhares. 
Ela não tinha aquilo, contida, discreta, como uma mulher deve ser. E talvez fosse isso que o encantou, a simplicidade, aquele jeito de nunca-querer-chamar-atenção e como ela parecia bem vivendo dessa maneira.
Alguns quilômetros, outras centenas de cartas e empecilhos, alguns anos...

Quanto tempo é preciso para aceitar o amor de outra pessoa? O quanto de força temos que criar para superar tantas barreiras? Não tenho certeza se vocês possuem essas respostas, mas, certamente estão bem perto disto. 
Vinte e cinco anos passaram como um estalo de dedos. Não foi nada fácil - e continua não sendo -, mas quem começou a espalhar por aí que o amor era simples?


Obrigada por criar criar dentro de mim uma vontade de ser melhor e lutar para fazer a vida de alguém muito melhor. Espero construir uma história estruturada cheia de carinho como vocês.



















         Amo demais!




'Pergunte pro seu Orixá,
o amor só é bom se doer!'

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

escalada.


Como se estivéssemos continuamente pré-destinados a caminhar sempre e sempre na mesma direção, embora as paisagens e os personagens pareçam tão distintos, estamos sempre na mesma linha, na mesma reta, olhando apenas de outra perspectiva. Os caminhos tão sujos e entulhados que nos turvam a vista e amarram os pés. Sempre e sempre...
Criamos esconderijos e lugares secretos onde depositamos todas nossas esperanças, medos, paixões, desejos em busca de algo real. Ou que nos façam sentir reais e não mais uma unidade. Dizemos não à algumas rotas e quando olhamos mais de perto, chegamos ao destino que deveríamos.
Acho que no final de tudo, não importa a trilha, muito menos o destino final. Acredito em algo muito maior, algo nesse ínterim que nos faz sentir vivos nem que seja por um mínimo segundo.






Medo de chegar a lugar nenhum.