segunda-feira, 30 de abril de 2012

"Mulheres da Terra, tomem de volta seus partos."

É aterrorizante como mecanizamos sentimentos, afetos, laços interpessoais, a natureza externa e a nossa própria também. O nascimento tanto pode ser visto da maneira mais terrível - como mais uma vida caminhando para o fim e nesse ínterim, inúmeras frustrações e angústias - quanto da mais encantadora e extasiante possível. Diante de ambas perspectivas, a mulher representa toda essa força mediadora 'bebê-mundo externo' e muitas vezes não percebe isso devido à própria sombra que a tecnologia produz. Induzem hormônios, injeções, uniformes, ambientes, rituais dispensáveis que desequilibram este momento tão íntimo.
Esse documentário mostra como é possível uma total entrega da mulher no momento do nascimento e o papel imprescindível do seu parceiro e outras pessoas de sua confiança e estima. Mostra a possibilidade de desmecanizar e assumir de cabeça erguida nosso corpo como fonte de prazer e amor.

Palavras não explicariam:

http://laranjapsicodelicafilmes.blogspot.com.br/2012/04/parto-orgasmico-2008.html




"Não existem muitas oportunidades na vida em que você pode dizer ao mundo que você se orgulha de si mesma."


Até então.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

palavrasvomitadas

As palavras saem vomitadas quando não se reflete sobre o que diz, quando o sentimento quer achar um signo, um beco, um canto, um colo...
as palavras regurgitam quando a cabeça pensa em infinitos porquês e os dedos tão pouco calcularam a questão...
quando o peito dói e os dedos travam.
as palavras devem sair vomitadas quando machuca demais pensar, então é melhor simplesmente escrever...escrever pra passar...
lexicoterapia
escrevo meio desconexo, meio jogado, vomitado, porque, nesse momento, só sinto que preciso disso e de um café, uma cama, um beco, um canto, um colo(...)
amanhã ainda doerá pra pensar, mais depois nem tanto, e depois menos ainda, então quem sabe, enfim, as palavras se encontrem e se entendam por si só? Sem precisar da minha confusa participação nesse diagrama da mente e também (descontente) da alma.




sexta-feira, 30 de março de 2012

nuvem negra


Não adianta
Me ver sorrir
Espelho meu
Meu riso é seu
Eu estou ilhada
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô
Não vou sair
Se ligarem não estou


Hoje, a tarde tem cheiro doce. Tem mesmo, não quero ser poética. Matei aula sem dor alguma para dedicar minha tarde (Quem sabe a noite, também? Por que não?) a algumas coisas que eu gosto: dediquei à bolacha recheada de chocolate, ao Chico, à leitura que agrada, enriquece e excita, dediquei ao colchão da nhaca. E agora, dedico ao enorme prazer de rascunhar. Sim, porque tenho quase certeza que ao dar por finalizado esse escrito, vou salvar no computador como mais um rascunho, mas não perdido. 

À manhã que vem
Nem bom-dia eu vou dar
Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei
Tá difícil ser eu
Sem reclamar de tudo

Tenho chorado tanto, mas um choro bom. Nada bruto, nada que produza marcas intensas embaixo dos olhos. Algo bem mais sensível, até com uma certa beleza. Tenho essa estranha mania de achar a tristeza linda, linda de verdade, com uma pureza que encanta os olhos de quem vê. Choro com o Vinícius, com a Marisa, com a Rita, com a Elis, tenho chorado até com canção de roda. É...
...mas continuo achando a tristeza linda. A minha, sim. 

Passa a nuvem negra
Larga o dia
E vê se leva o mal
Que me arrasou
Pra que não faça sofrer
Mais ninguém

Outro dia, aquela chuva torrencial resolveu me pegar enquanto andava na rua. Imediatamente procurei um toldo e embaixo dele fiquei. O toldo era de uma loja de trecos. Aqueles montes de utensílios que todo mundo um dia vai precisar - seja pro chuveiro, pra torneira, pro fogão, até artesanato da esposa o dono da loja vendia - cabiam dentro daquele pequeno metro quadrado. Não passaram dois minutos e eu já estava ensopada dos pés a cabeça, quando o velhinho me convidou a entrar na loja para me proteger. A chuva passou, a chuva voltou, conheci o filho, o cachorro, - que ali também morava - conheci sua história e ele conheceu a minha. Depois de uma hora deixei a loja e ainda peguei um pouco de chuva, mas nem liguei. Estava feliz de verdade. Esses encontros acontecem e enchem a gente de esperança, sei lá! Não sei como nomear, mas foi delicioso. E chorei. Incansavelmente. Agora não lembro o nome do velhinho, nem do filho, nem do cachorro, mas morro de saudade deles. Vou esperar por outra chuva no centro...

domingo, 25 de março de 2012

fala pra ele...






Não era de se pensar. Não precisava, já não cabiam pensamentos naquela cabecinha. A mesma mente que gritava o quão vão seria aquilo, era aquela que, silenciosamente, dava razão a todo um sentimento que diariamente crescia dentro de seu corpo, mas era anônimo. Porque os sentimentos são assim mesmo, sem nome, sem medida, simplesmente são. E são às vezes, são em pequenos momentos, em atitudes, em toques, telefonemas e batidas aceleradas no peito. Desgraça de mania que temos de nomeá-los! Amei, sim, amei demais, amei um mundo de possibilidades que acreditei até o fim. Mas pouco sei sobre os sentimentos, os meus ainda me surpreendem. Já imagino seu rosto sonolento, lembrando da minha estúpida e incansável mania de falar, falar, falar e não chegar a lugar nenhum! Eu sei, também sinto náuseas de tanto girar e de me explicar sem respirar, como se o coração estivesse na boca, pronto pra explodir, sabe? Na verdade, existe um turbilhão de emoções aqui dentro e estas (quase) nunca são verbalizadas, mas discorrem bastante mundo afora...exteriorizadas em poesia, música, beijos e abraços prolongados...em ti.



''Fala pra ele
Que ele é um sonho bom
Que mudou o tom
Da tua vida...''




Foi impossível pensar em um título que se enquadre; acho que por você ser exatamente assim, sem formas, sem padrão, sem saber-porque, apenas é. E se não quer ser, também não é. Entendeu? É você! Esse texto já perdeu o sentido na segunda linha, talvez pela minha ingenuidade de no fim encontrar uma resposta que me tranquilize. Mas não tem jeito. Se existe algo que não é tranquilo, é esse 'algo' (sem aspas, por favor) entre nós. 


E que continue assim...equilibrando-se em furacões - porque eu não quero parar de girar - e chão com teto estrelado, pra colocar tudo no seu devido lugar.
















dedicado a um quebra-cabeça pensante (e inconstante)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

desviando...

É claro que a gente se encontra se perdendo. Tá, tá...é bem verdade e não teria melhor clichê pra descrever esse meu momento. Esse momento só meu, de tanta reviravolta, desconstruções e sensações.
Parece que às vezes as pessoas decidem jogar todos nossos sentimentos num liquidificador e depois de pronto, jogam fora a receita sem nem ao menos nos ensinar! Tenho brincado muito disso nos últimos tempos...e é algo viciante. Me parece que já não acho mais o meu ponto de equilíbrio. Me viciei em desequilibrar, ou pelo menos em buscar quem faça isso por mim. Estar fora de si, fugir para outra realidade, outra dimensão, ou mudar o caminho de todo dia às vezes, mesmo que isso exija mais tempo.
Desviar as rotas da rotina. Até quando?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O ponto de ônibus...


O ponto de ônibus - mas não só ele - era o seu abrigo. Abaixo dele depositava todas as suas esperanças de um novo dia ou uma nova tarde que viria. Nunca a noite. A noite era dura consigo e com a sua guria. A noite era infiel, insegura, ingrata. Usava como escudo sua pequena cria, coberta de meios trapos, meias roupas que mais cedo ou mais tarde cederiam à chuva. A mãe tinha aquele olhar que reconhecemos de longe quando as coisas não vão bem. Pessoas de pouca sorte. Uma perguntava-se o porquê de estar neste mundo vivendo essa vida, a outra não sabia seu papel nesse lugar - não ainda. E mesmo tão vivas, tão cheias de ar, de carne, de pele, mesmo com tanta cor, as pessoas que passavam por elas, apenas passavam. Eram translúcidas, as duas. Transpassavam pelos olhos nus e vestidos de lunetas também. Concomitantemente, ambas exalavam uma esperança, uma vontade de vencer, algo que nós - os opacos - esquecemos de sentir. A vida é tão fácil, afinal...







Era só um ponto de ônibus. Era um lar, um abrigo, um refúgio. Poderia ser um coqueiro, uma palafita, um casebre qualquer, mas era o ponto de ônibus. Poderia ser eu ou você debaixo dele. Mas por algum motivo que eu não compreendo bem, por alguma razão que vai além da minha capacidade de raciocínio, era Fabiana e sua filha, Mirian. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

zzZz

Não tem jeito, quando ela te alcança, é fatal. É um vira de cá, vira de lá e pronto: todas suas ideias, pensamentos e esperanças do dia seguinte parecem tão estúpidos que talvez você até desista de tudo. Um copo de água, talvez uma dose bem forte de alguma bebida muito ruim, ou para os mais ousados, café.

02:23

E por que é tão difícil verbalizar certas inseguranças e incertezas tão claramente expostas na mente e emaranhadas na alma ?

02:25

E nada...parece mesmo uma eternidade de tempo aqui nesse colchão.
Sozinho o relógio é ainda mais ingrato.

02:26
Insônia...pra quê?
Hora de encarar o cobertor,
ou quem sabe um programa na televisão de mau gosto...