''Minduim cresceu nas águas
dizendo adeus à solidão
entre o cloro e elásticos
controlando a respiração
não se molha na chuva
nem tem medo de trovão
dá cambalhotas ao meio dia
à tarde dorme na escuridão
não come tapioca, tão pouco feijão
gosta mesmo de batata palha,
frita ou assada no fogão
decidiu que por uns meses
viveria de absorção
despendeu toda energia
alimentando o coração.''
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
às lindas casualidades.
''No es la necesidad, sino la casualidad, la que está llena de encantos. Si el amor debe ser inolvidable, las casualidades deben volar hacia él desde el primer momento(...)''
esse mundo que é só grandeza, depois de um tempo, deixou de ser cruel. desde o dia em que você apareceu nele. no meu mundo. desde o dia em que eu cruzei a porta de madeira pela primeira vez, desde a primeira pizza vegetariana, o primeiro olhar e o primeiro sorriso. desde a música que não saía da minha cabeça, ''decime como se llama, por favor!''. desde o primeiro toque de amor que durou uma eternidade. desde o primeiro choro de saudade. desde o dia que eu percebi que você não era mais um, mas um. foi quando eu agradeci por todas as casualidades que me levaram até você. desisti de numerá-las e me permiti senti-las. me permiti dançar no living com você enquanto as pessoas dormiam, e andar como patito ao cruzar a rua. permiti que todos vissem o quanto tudo aquilo que existe aqui dentro é teu. e o quanto isso me agrada. a tua presença com a minha. e poder contar todos os lunares do teu rosto. e não se importar com as horas. porque todo tempo do mundo é muito pouco com você.
te amo nesses dias em que a vida se clareou pra mim. obrigada por mostrar-me que eu não sabia nada das coisas. você é o meu melhor acaso.
"es kónnte auch anders sein: también podía haber sido de otro modo", mas nesse instante, outra forma de felicidade não me cabe.
esse mundo que é só grandeza, depois de um tempo, deixou de ser cruel. desde o dia em que você apareceu nele. no meu mundo. desde o dia em que eu cruzei a porta de madeira pela primeira vez, desde a primeira pizza vegetariana, o primeiro olhar e o primeiro sorriso. desde a música que não saía da minha cabeça, ''decime como se llama, por favor!''. desde o primeiro toque de amor que durou uma eternidade. desde o primeiro choro de saudade. desde o dia que eu percebi que você não era mais um, mas um. foi quando eu agradeci por todas as casualidades que me levaram até você. desisti de numerá-las e me permiti senti-las. me permiti dançar no living com você enquanto as pessoas dormiam, e andar como patito ao cruzar a rua. permiti que todos vissem o quanto tudo aquilo que existe aqui dentro é teu. e o quanto isso me agrada. a tua presença com a minha. e poder contar todos os lunares do teu rosto. e não se importar com as horas. porque todo tempo do mundo é muito pouco com você.
te amo nesses dias em que a vida se clareou pra mim. obrigada por mostrar-me que eu não sabia nada das coisas. você é o meu melhor acaso.
"es kónnte auch anders sein: también podía haber sido de otro modo", mas nesse instante, outra forma de felicidade não me cabe.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
na cama de outros.
às vezes chuta
esperneia
liquidifica
esquece de ser verso
e se prende à rima
dá voltas pela
placenta
mas nunca
solidifica
disseram que de
parto normal não viria
tão pouco sabiam
que outro processo
invasivo
não resistiria.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Não abaixa muito! Deixa essa louça ai, eu lavo pra ti...Já almoçou? Já tomou cafezinho da tarde? Já comeu uma fruta? Já foi no médico? Já jantou? E o dentista? Eu carrego isso pra ti. Mas isso tá pesado demais, menina! Como raios isso foi acontecer? Você tem noção do que fez com a tua vida? Tua vida acabou...Você acha que vai conseguir terminar os estudos? E as festinhas? E a formatura? Vai entrar barriguda mesmo? Não há vestido que sirva...Agora você tem que me ouvir. Não diga que eu não avisei. Mas essa criaturinha vai ser a alegria da família! Já sabe o nome? E o quarto? E os esportes? Não pode deixar de praticar. Faça de tudo para não engordar mais de 1kg por mês. E o pai? Apoia? Tá trabalhando? Estudando? Mas você tem noção do que fez com a tua vida?
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manhã de caos e cães.,
uma bobagem qualquer
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
me falta o mar e a lucidez,
a certeza e a insensatez.
el dibujo es una sombra
Renato me acompanha,
me falta a lucidez...
tinha dentro dela todas as certezas do mundo,
que o próprio mundo apagou.
pensava que sabia da vida
mas quem sabia de mim era ela
que me agarrava pelo braço e dizia 'despiértate, chica! ya no hay más tiempo...si quieres ser feliz como me dices...no analices...'
rascunho de agosto
a certeza e a insensatez.
el dibujo es una sombra
Renato me acompanha,
me falta a lucidez...
tinha dentro dela todas as certezas do mundo,
que o próprio mundo apagou.
pensava que sabia da vida
mas quem sabia de mim era ela
que me agarrava pelo braço e dizia 'despiértate, chica! ya no hay más tiempo...si quieres ser feliz como me dices...no analices...'
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parafraseando
domingo, 22 de setembro de 2013
p'ra agora ou depois?
euforia de poetizar a vida
não com rimas feitas,
rimas frias
rimas esquecidas
daquelas que somem depois de um banho
depois de um sonho
depois de um pranto.
rimas que se perdem na esquina
quando cruzo a avenida
quando viro a página
quando fecho o livro.
rimas que se calam depois do vinho,
que viram rascunho
saem p'ra rua
se embebedam de chuva
e
quando secam
esquecem a direção de casa.
rimas atrevidas
bandidas
inóspitas
que não cabem em lugar nenhum
nem no peito
nem no papel
mas quando chegam
quando ficam
arrombam portas e persianas
explodem em dedos
em tintas
rimas bandidas
que roubam a fala
e o ar
derrubam muros
e portas
arrombam
peito e alma.
não com rimas feitas,
rimas frias
rimas esquecidas
daquelas que somem depois de um banho
depois de um sonho
depois de um pranto.
rimas que se perdem na esquina
quando cruzo a avenida
quando viro a página
quando fecho o livro.
rimas que se calam depois do vinho,
que viram rascunho
saem p'ra rua
se embebedam de chuva
e
quando secam
esquecem a direção de casa.
rimas atrevidas
bandidas
inóspitas
que não cabem em lugar nenhum
nem no peito
nem no papel
mas quando chegam
quando ficam
arrombam portas e persianas
explodem em dedos
em tintas
rimas bandidas
que roubam a fala
e o ar
derrubam muros
e portas
arrombam
peito e alma.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
da lata do lixo.
Dona Maria do papelão, da esteira, do correio, da vassoura e da prensa. Dona Maria das Dores, do álcool, do marido e dos filhos. Dona Maria do cabelo preto meio cinza, da pele preta e da simpatia. Dona Maria das fugas, das despedidas, dos sorrisos e desperdícios. Dona Maria da segunda passada, do café passado. Dona Maria de volta ao passado. Dona Maria que não sabe o que fazer com tanta promessa e papelão rasgado.
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